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Raquel Lyra e João Campos adotam estratégias diferentes na primeira semana de campanha eleitoral

  • há 27 minutos
  • 3 min de leitura

Cientistas políticos analisam primeiros dias de agendas dos principais candidatos ao governo de Pernambuco



Completada uma semana do começo das agendas de campanha, os principais postulantes na corrida para o governo de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), vêm adotando estratégias diferentes durante os primeiros dias de atos eleitorais.


No caso de Raquel, a gestora tem concentrado sua presença principalmente no Recife e na Região Metropolitana da capital, especialmente em áreas de periferia. Por outro lado, Campos tem procurado ocupar mais espaços no Interior do estado. O cientista político Isaac Luna explica que os movimentos dos candidatos são uma tentativa de marcar posição em regiões onde a popularidade adversária é maior.

“Por ser governadora, por ter andado mais no estado do que João, por ter os convênios e as parcerias com as prefeitura, a tendência é que Raquel tenha maior capilaridade no interior. E para tirar essa diferença, João tem que caminhar, tem que ir para o interior. Raquel, por outro lado, ficou no Recife porque João, como prefeito por um mandato e meio, também tem uma capilaridade maior na capital”, explica.

Discursos

As agendas de campanha também são importantes para os candidatos mostrarem o que fizeram durante os mandatos, apresentarem novas propostas e até criticarem os adversários. Nesse primeiro momento, a cientista política Priscila Lapa afirmou que o tom das falas dos postulantes está dentro do esperado, mas que mudanças podem acontecer ao longo do período. 

“A governadora está reafirmando as entregas do seu governo e imprimindo a forte identidade com o estado como principal tônica discursiva. E João buscando fazer a conexão com a sua gestão no Recife e a herança do seu pai Eduardo Campos. Fez críticas ao governo, mas ainda sem subir o tom excessivamente, o que provavelmente irá acontecer no decorrer da campanha”, pontuou.

Para Isaac Luna, o pós-feriado da Independência do Brasil, celebrado no dia 7 de setembro, deve marcar uma mudança no teor dos discursos dos dois principais candidatos.

“Na semana do feriado (da Independência), todo mundo vai fazer a homenagem à pátria, mas depois, eu acredito que as campanhas irão acelerar mais, inclusive, nas narrativas de campanha, nas propostas e, eventualmente, em algum conflito”, projetou.

Nacionalização

Outro aspecto que vem marcando os primeiros dias de campanha é na tentativa ou não de nacionalizar o debate. Priscila explica que no caso de João, o objetivo é demonstrar a proximidade com o presidente Lula (PT), enquanto Raquel procura adotar um discurso mais neutro, evitando declarar apoio à candidatura do petista e a de Flávio Bolsonaro (PL). 

“Desde o início, João tem como principal mote a nacionalização da campanha, buscando converter o apoio massivo ao presidente Lula em apoio à sua candidatura. E isso foi muito salientado nessa primeira semana de campanha. Já Raquel busca a neutralidade como tentativa de atrair eleitores das diversas linhas políticas, replicando a estratégia que a levou à vitória em 2022”, disse.

Luna ainda explica que a boa avaliação do presidente Lula em Pernambuco é o que norteia as duas estratégias dos candidatos.

“Em Pernambuco, Lula tem uma avaliação muito boa, acima da avaliação geral nacional. Então, é evidente que o esforço maior de João vai ser de fazer essa nacionalização da campanha e esperar que isso traga dividendos eleitorais. Raquel precisa apenas evitar a sua ligação com Bolsonaro. Embora ela não possa dizer que é a candidata de Lula, ela pode se dizer que é parceira do governo, que trabalha junto e que, se reeleita, vai procurar ele para novos projetos para Pernambuco”, afirmou.

Outras candidaturas

Além de Raquel Lyra e João Campos, também entraram em campanha para as eleições para o governo de Pernambuco Ivan Moraes (Psol), Camila Falcão (Unidade Popular), Guilherme Fonseca (PSTU), Jeremias Cosmo (Democrata), Renan Hallais (Missão) e Victor Assis (PCO). 


Apesar das candidaturas, Priscila Lapa afirmou que, até o momento, não foi possível observar nenhum candidato com grande mobilização popular que possa entrar na disputa entre Raquel e João.


“Até o momento, as demais candidaturas ainda não tiveram o efeito de mobilizar os eleitores, até por serem campanhas com menos apoios e recursos. Possivelmente, isso se manterá ao longo da disputa”, comentou.

Luna acrescenta que o tamanho das candidaturas e da popularidade de Raquel e João dificultam que outros candidatos alcancem a mesma mobilização eleitoral.

“São duas estruturas muito pesadas, muito grandes, dois campos de poder com muitas alianças e com muita capilaridade em todo o estado. Então eles acabam dominando o debate político e a cena eleitoral em Pernambuco”, complementa.






 
 
 

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