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Golpes digitais ficam mais sofisticados e tecnologia amplia risco de fraudes contra consumidores

  • há 10 horas
  • 4 min de leitura

Com o uso de inteligência artificial, dados vazados e técnicas de engenharia social, criminosos criam fraudes cada vez mais convincentes e dificultam a identificação das vítimas


Os golpes digitais evoluíram e deixaram para trás as mensagens com erros de português e os sites mal elaborados que antes denunciavam a fraude. Hoje, criminosos utilizam inteligência artificial, dados pessoais obtidos em vazamentos e técnicas de engenharia social para criar abordagens que simulam, com alto grau de fidelidade, comunicações de bancos, empresas, plataformas digitais e órgãos públicos. O resultado é um cenário em que consumidores e empreendedores enfrentam riscos cada vez maiores de prejuízos financeiros e roubo de informações pessoais.


O crescimento desse tipo de fraude acompanha a digitalização dos serviços financeiros. Pesquisa do Observatório Febraban mostra que 39% dos brasileiros afirmam já ter sido vítimas ou alvo de tentativa de golpe envolvendo contas bancárias, o maior percentual da série histórica do levantamento. Entre as modalidades mais citadas estão a clonagem ou troca de cartões (45%), o golpe do WhatsApp (34%), a falsa central de atendimento bancário (31%) e o falso Pix (24%).


Segundo levantamento da Serasa Experian, o Brasil registrou 3,46 milhões de tentativas de fraude apenas no primeiro trimestre de 2025, um crescimento de 22,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso representa mais de um milhão de tentativas por mês, ou uma ocorrência a cada 2,2 segundos. Mais da metade das investidas teve como alvo bancos e emissores de cartões.


A estudante Laura Oliveira, de 22 anos, viveu essa experiência ao receber uma ligação de um suposto funcionário do banco informando uma movimentação considerada suspeita em sua conta. O atendente sabia seu nome completo, os quatro últimos números do cartão e utilizava uma linguagem semelhante à empregada pela instituição financeira. Convencida de que estava falando com um representante oficial, ela seguiu as orientações recebidas e acabou fornecendo um código de segurança que permitiu a realização de transações indevidas. 


"Ele conhecia vários dados meus e falava exatamente como um atendente do banco. Em nenhum momento imaginei que pudesse ser um golpe. Só percebi quando apareceram transferências que eu não havia feito", relatou Laura.

Segundo o especialista do Sebrae Pernambuco em Finanças e Contabilidade, Cleto Paixão, a principal diferença dos golpes atuais está justamente na capacidade dos criminosos de construir situações cada vez mais próximas da realidade da vítima.


"Os golpistas utilizam informações verdadeiras, exploram o medo e a sensação de urgência para convencer a pessoa a agir rapidamente. Quanto mais personalizada for a abordagem, maior é a chance de a vítima acreditar que está diante de uma situação legítima", explicou.

Inteligência artificial 

Além das mensagens falsas e dos sites que reproduzem praticamente todos os elementos visuais das páginas oficiais, a inteligência artificial passou a ser utilizada para criar conteúdos ainda mais convincentes. Hoje, criminosos conseguem elaborar textos sem erros, produzir imagens falsas, automatizar atendimentos e até simular a voz de familiares ou funcionários de empresas.


A Serasa Experian alerta que o uso da inteligência artificial permite aos criminosos criar abordagens cada vez mais personalizadas, utilizando dados vazados, documentos falsificados e técnicas capazes de aumentar a credibilidade das fraudes. Com isso, os golpes deixam de apresentar sinais evidentes e passam a exigir ainda mais atenção dos consumidores.

"Antes era mais fácil identificar um golpe porque existiam muitos erros. Hoje, a tecnologia permite criar comunicações muito semelhantes às verdadeiras, o que exige ainda mais atenção por parte dos consumidores", afirmou Cleto Paixão.

O especialista ressalta que bancos, órgãos públicos e empresas não solicitam senhas, códigos de autenticação ou dados bancários por telefone, aplicativos de mensagens ou e-mail. Sempre que houver dúvidas, a orientação é interromper o contato e procurar diretamente os canais oficiais da instituição.


Atenção aos sinaisMensagens informando bloqueio de conta, compras suspeitas, atualização cadastral ou promessas de investimentos com retorno elevado devem ser analisadas com cautela, principalmente quando exigem decisões imediatas ou o compartilhamento de informações pessoais.


Além dos prejuízos financeiros, essas fraudes podem resultar no roubo de identidade, acesso indevido à conta Gov.br, redes sociais e aplicativos bancários, ampliando os danos causados às vítimas.


O aumento das ocorrências também tem mobilizado as forças de segurança. As Polícias Civis dos estados registram crescimento nas investigações relacionadas a estelionato eletrônico, invasão de dispositivos e fraudes bancárias, especialmente envolvendo Pix, clonagem de aplicativos de mensagens e falsas centrais de atendimento. A orientação é que, ao identificar um golpe, a vítima registre imediatamente um boletim de ocorrência, comunique a instituição financeira e solicite o bloqueio das transações o mais rápido possível.


Como se proteger

Especialistas recomendam nunca compartilhar senhas, códigos recebidos por SMS ou aplicativos autenticadores, além de evitar clicar em links enviados por mensagens ou e-mails de origem desconhecida. Outra orientação é acessar bancos e serviços públicos digitando o endereço oficial diretamente no navegador e manter a autenticação em dois fatores sempre ativada.


"Na dúvida, interrompa o atendimento e confirme a informação diretamente com a instituição. Alguns minutos de conferência podem evitar prejuízos financeiros e impedir que dados pessoais sejam utilizados por criminosos", reforça Cleto Paixão.

Embora a tecnologia tenha tornado os golpes cada vez mais sofisticados, especialistas afirmam que a principal arma dos criminosos continua sendo a manipulação do comportamento humano. Por isso, informação, cautela e verificação permanecem como as melhores formas de reduzir o risco de cair em fraudes que evoluem na mesma velocidade das ferramentas digitais.


Em um ambiente cada vez mais conectado, especialistas alertam que a prevenção depende tanto da adoção de ferramentas de segurança quanto da conscientização dos usuários. Atualizar aplicativos, utilizar senhas fortes e diferentes para cada serviço, ativar a autenticação em dois fatores e desconfiar de contatos inesperados são medidas simples que reduzem significativamente as chances de sucesso das fraudes digitais. Também é importante acompanhar movimentações bancárias com frequência e manter os dados cadastrais protegidos.


À medida que os golpes acompanham a evolução tecnológica, consumidores, empresas e órgãos públicos precisam investir continuamente em educação digital e mecanismos de proteção.


A combinação entre informação, atenção e resposta rápida diante de qualquer suspeita continua sendo a estratégia mais eficaz para minimizar prejuízos e impedir que criminosos aproveitem a confiança e a desatenção das vítimas em um cenário de fraudes cada vez mais sofisticadas.



 
 
 

Nena Cabral 2025

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