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Dia do Frevo: ritmo protagonista do Carnaval pernambucano é celebrado nesta segunda (9)

  • sitenenacabral
  • há 48 minutos
  • 4 min de leitura

Frevo é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade e Patrimônio Cultural do Brasil


Há uma sensação irrestritamente pernambucana quando a composição “Duda no Frevo” (maestro Senô, década de 1970) anuncia, em suas origens de compasso binário, o Carnaval de Pernambuco.


A partir de então, e oficialmente aberto, a certeza é de que é ele, o frevo, protagonista da folia por aqui e, portanto, é manifesto ter uma data local para ser celebrado. 


Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, é o dia da manifestação do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade (Unesco, 2012) e Patrimônio Cultural do Brasil (Iphan, 2007), porque foi nesta data que o nome ‘frevo’ foi citado pela primeira vez na imprensa, em um registro no Recife no “Jornal Pequeno”.



Brasil afora, o seu Dia Nacional é comemorado em 14 de setembro - dada a grandiosidade, e já que “é uma dança que nenhuma terra tem”, como diria Capiba, ter “apenas” duas datas no calendário para celebrá-lo, chega a ser pouco.


Frevos ‘mudernos’

Acelerado, para incitar o corpo em rebuliço, ou poético, para levar, em marcha, a multidão que sempre o acompanha, musicalmente o frevo é a maior identidade pernambucana, seja em harmonias e arranjos de outrora, ou em pulsações contemporâneas renovadas, por exemplo, por metais do rock ou pelo gancho da linguagem audiovisual transformada em Carnaval por fazedores independentes de música.


Fala-se, aqui, respectivamente de frevos compostos este ano pelo rock do Diablo Angel (“Com Você eu Brinco Até o Carnaval”) e por nomes autorais como Juliano Holanda e PC Silva (“Raparigou?”).


Lançada recentemente nas plataformas digitais, a canção da banda pernambucana de rock Diablo Angel, na estrada há uma década, com três discos lançados, e que tem à frente a compositora, vocalista e guitarrista Kira Aderne, assumidamente expõe que há um “bloco dos camisas pretas” que não gosta da folia, uma realidade resolvida em um frevo-rock inspirado em um grupo que nas Quartas-Feiras de Cinza sai em cortejo da Igreja de São Pedro, em Olinda.

“É um bloco em que todos vestem preto, a cor que também é uma característica de quem curte o rock. A música brinca com essa história de um roqueiro no meio da folia e do furdunço do Carnaval”, contou Kira, na ocasião do lançamento da faixa. 

Já o aclamado e premiado (e também pernambucano) “O Agente Secreto", foi a ‘deixa’ para Juliano Holanda e PC Silva, em alusão ao questionamento de uma das cenas do longa do diretor ‘da terrinha’, Kleber Mendonça Filho. 


No recorte do filme que virou um frevo, o personagem de Wagner Moura é perguntado sobre uma suposta traição em seu casamento com um “Raparigou?”. Que ficou sem resposta. A música, homônima à indagação, chegou às plataformas digitais para compor a folia em 2026.


E os frevos tradicionais?Seguem em alta e (ainda) tomado pelos clarins momescos no sobe e desce das ruas de Olinda ou por entre o saudosismo que perfaz o Bairro do Recife.Ao menos de acordo com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), são elas, as composições de Luiz Bandeira, Getúlio Cavalcanti, Clóvis Vieira, Capiba e Jota Michiles, entre outros, que seguem fazendo o Carnaval de Pernambuco perpetuar-se em histórias contadas pelo frevo.


Em 2024, de acordo com o Ecad, as músicas mais tocadas da festa no estado, em trios elétricos e shows, foram “Voltei Recife” (Luíz Bandeira), “Último Regresso” (Getúlio Cavalcanti), “Hino do Elefante” (Clóvis Vieira e Clidio Nigro), “Oh, Bela” (Capiba) e “Me Segura Senão Eu Caio” (Jota Michiles).


Já em 2025, um levantamento do Escritório feito a pedido do Portal G1, os hits mais executados na folia por aqui, em blocos, trios e shows, foi também o frevo e, vale frisar, maioral pelo menos nos últimos dez anos.


Neste ranking entraram “Tropicana”, de Alceu Valença, “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho, “Chuva de Sombrinhas”, parceria de André Rio e Nena Queiroga, “Diabo Louro”, de Jota Michiles e, entre os mais clássicos, “Madeira que Cupim não Rói”, de Capiba, e “Vassourinhas”, de Joana Batista Ramos.


Tradição


Para a Folia de Momo deste 2026, assim como em outros carnavais, não há “a música do ano” sobre qual o frevo será hit ou ‘qual vai pegar’.


Embora haja, reconhecidamente, a carência em cancioneiros renovados do ritmo, as músicas já conhecidas e reproduzidas em uníssono por quem se lança às ruas de Recife, Olinda e outras dezenas de cidades que vivem o Carnaval, seguem mantendo de pé o ritmo mais pernambucano de todos. 



Ora por falta de investimento/interesse em ver perpetuada a manifestação sob assinatura das novas gerações, ora porque o conceito de festa multicultural permite que outros gêneros predominem, em meio à harmonia que é - ou deveria ser - o cerne da festa no estado, o frevo, apesar de tudo, segue em reinado atemporal e perene, atravessando décadas, levado por multidões atraídas pela liberdade peculiar que o ritmo proporciona nos arranjos, na dança, no improviso, nas vestimentas e em todo o colorido que remetem a ele no período carnavalesco.


Na rua, no bloco

De Rua, de Bloco ou de Canção, não há folia sem “Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon, cadê teus blocos famosos?  


Tal qual não existe Carnaval sem entoar os “sons dos clarins de Momo” que culminam em um entoar de “Olinda! Quero cantar a ti esta canção” com seus coqueirais, sol e mar e o inigualável e mundialmente aclamado “Salve o seu Carnaval”.


É que, segundo Capiba,

“Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem, quando a gente entra na dança não se lembra de ninguém. É maracatu? Não, mas podia ser. É bumba meu boi? Não, mas podia ser. Não, será o baião? Não, mas podia ser (...). É uma dança que vai e que vem, que mexe com a gente. É frevo, meu bem!”
 
 
 

Nena Cabral 2025

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