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Aniversário Recife e Olinda: cidades-irmãs carregam legado histórico e personagens urbanos

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Do centro do Recife ao Sítio Histórico de Olinda, as paisagens históricas contam histórias dos moradores da cidade

O dia 12 de março representa uma data simbólica para Pernambuco. As cidades-irmãs, Recife e Olinda, completam 489 anos e 491, respectivamente, nesta quinta-feira. 


Os dois territórios carregam uma conexão intrínseca, que combina aspectos culturais com espaços históricos para o estado. 


“São cidades mais que irmãs. Elas são quase a mesma matéria, que se retroalimentam e vão crescendo juntas ao longo do tempo”, explicou o professor de história da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), George Cabral.


Para os espaços históricos terem sentido nas cidades, faz-se necessária a presença de gente. Na visão do arquiteto e urbanista Francisco Cunha, a qualidade de vida de uma cidade é diretamente proporcional à qualidade do espaço público.


As cidades-irmãs são capazes de conectar o patrimônio do centro do Recife e do Sítio Histórico de Olinda com áreas públicas de convivência. 


"Recife e Olinda, juntas, têm um acervo histórico e cultural grandes. Elas fazem um binômio que é um dos lugares mais extraordinários do Brasil e do mundo", disse o sócio da TGI Consultoria.


Centro do Recife 

Nascida na capital pernambucana, a cantora Isaar, de 52 anos, tem no centro do Recife suas principais memórias afetivas com a cidade.


Desde a infância transitando pelas ruas nos arredores do Mercado de São José e da Avenida Guararapes até o início da carreira artística. 

"Eu tenho uma relação afetuosa com a cidade inteira, mas especialmente com o centro da cidade. O Pátio de São Pedro foi praticamente uma casa, um espaço de encontro. É uma relação onde você encontra pessoas de outros espaços da cidade", afirmou.

A área central do Recife também marca a relação do artista visual, Tacio Russo, 30 anos, com a cidade.


A rotina diária nos tempos de escola saindo do Alto Santa Terezinha, na Zona Norte, até o centro foi parte fundamental da sua construção artística. 

"Eu gosto de criar minhas poesias e lambes como se fossem uma conversa com a cidade. Tento me comunicar com a cidade através desses poemas e tento transcrever o que a cidade fala para mim através deles. É vivendo e andando pelo Recife que vem essa minha relação com a expressão artística. A cidade é minha maior inspiração", relatou.


Espaço cultural 

Mais do que a vista panorâmica das cidades-irmãs, o Alto da Sé, em Olinda, é composto por uma gama de pessoas que fazem parte da paisagem urbana do local. 


A olindense Maria José Moreno da Silva, de 86 anos, é uma das tapioqueiras mais conhecidas do principal ponto turístico de Olinda. Zeinha, como é conhecida, vende tapioca na Sé desde 1972. 


Segundo Zeinha, trabalhar no Alto da Sé é um privilégio por estar conectado com visitantes de todos os lugares.

"É muito bom trabalhar no Alto da Sé. Se a gente sai de casa estressado, chega aqui e esquece tudo. Conversa com um, com outro, conhece muita gente. É bom demais. É um lugar bonito, em contato com a natureza", disse.

Nascida no Conde, Litoral Norte da Bahia, a artista plástica Iza do Amparo, de 79 anos, não se arrepende da escolha que fez em 1982, quando decidiu morar em Olinda. 


Desde que chegou a Pernambuco, Iza mora no Sítio Histórico de Olinda, mais precisamente na Rua do Amparo, onde reside e mantém o espaço Ateliê Iza do Amparo há mais de 40 anos.


"Eu acho que foi uma questão de destino, Olinda mandou me buscar. É uma universidade natural. Você vive nela, cria cultura pela disposição de ser uma comunidade diversificada", destacou.

 
 
 

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